CHAVÍN
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Na região onde hoje é o Peru foram construídos centros religiosos que no século VII A.C. estavam no auge. Templos que serviram a uma civilização acerca da qual se tem pouquíssimas informações de sua organização social, mas que teve comprovada influência nas sociedades que vieram depois, principalmente no que diz respeito à arquitetura, cerâmica e escultura. Trata-se de uma da primeiras civilizações americanas, a dos chavín, nos Andes. Os templos eram uma série de grandes montes em forma de pirâmide, com topos achatados e dispostos em forma de U. Em alguns casos, os montes piramidais que formavam os lados do U eram unidos ao monte dominante, no lado fechado do U. Em outros conjuntos, cada monte ficava separado. Os montes que formavam as pirâmides eram feitos artificialmente e revestidos de pedras. |
Entre os mais antigos está um encontrado em El Paraíso, na foz do rio Chillón, com uma área de 50 hectares. Suas seis pirâmides truncadas, feitas de pedras e argamassadas de barro, estendiam-se por 320 metros em torno do U. Apesar de ter sido uma civilização que não deixou documentos escritos, sendo incerto mesmo que tenha havido um governo central como uma espécie de império, deve ter havido um poder político estável e forte, pois é óbvio que demorou mais de uma geração para construir tais estruturas monumentais.
Na foto acima, entalhado na parede de um templo, um guerreiro chavín empunha uma acha-d'armas, arma antiga com feitio de machado, e as cabeças cortadas ao lado dele são testemunhas do destino sinistro que aguardava os prisioneiros.
A cultura foi denominado com o nome de chavín pelos estudiosos do século XX, pois foi próximo à cidade de Chavín de Huantar, no Peru, onde foi encontrado um desses principais centros religiosos. O culto não se originou em Chavín de Huantar, nasceu mais para o norte, em algum local desconhecido, mas disseminou-se gradualmente para o sul. Por volta de 1000 A.C. sua influência chegou até o centro do Peru, perto de onde viria a surgir Lima. De início parece que os chavín se estabeleceram através da conquista. No primeiro primeiro conjunto que tomaram, um lugar chamado mais tarde de Cerro Sechín, esculpiram relevos de pedra representando vítimas decaptadas, mutiladas e castradas, bem como cabeças tomadas como troféus em batalhas e cenas de sacrifícios humanos ritualísticos. Guerreiros entalhados na pedra marchavam triunfalmente pela paredes do templo e duas placas de pedra colocadas na entrada principal aparentemente celebravam a vitória.
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É provável, no entanto, que os chavín se apoiassem mais no pode intimidador de suas imagens e na força de suas idéias do que na guerra. Mais ainda, eram flexíveis e sábios o suficiente para incorporar temas e símbolos locais aos seus rituais, o que os ajudava a conseguir apoio popular para o seu movimento. Em 400 A.C., a influência religiosa dos chavín estendia-se de Cajamarca, no norte, até Ayacucho no sul e dos extremos da bacia amazônica ao litoral do Pacífico. Quando estava no apogeu do poder, o mundo chavín começou a se dissolver. Não existem pistas das razões que levaram ao fim da primeira civilização das Américas, ou do que aconteceu com os próprios chavín. Técnicas de análise atuais estimam que as construções de Chavín de Huantar datam entre 800 e 200 A.C. e sua população pode ter alcançado 3.000 pessoas. Para a edição "Time-Life Books" (1987), a imagem esculpida ao lado significa um cativo cortado pela cintura, resultado de um dos inúmeros rituais sangrentos dos chavín, nos quais eram comuns os desmembramentos. |
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Fontes: "História em Revista - Marés Barbaras", Ed. Abril, 1991.