TRABALHOS FORÇADOS (GALERA)
Jean Coustos, mestre da loja maçônica em Lisboa (a maçonaria foi reprovada por Sua Santidade o papa Clemente XIII, conforme ele diz em sua bula In eminenti... causando assim o escândalo e ruína de fiéis cristãos), foi perseguido pela inquisição, preso em 14 de março de 1743 e submetido à tortura:
Uma ata da sessão do dia 25 de abril dá conta de que ele "foi colocado sobre o cavalete, informado pelo notário (escrivão) que se morresse durante a operação, se um de seus membros fosse quebrado ou se ele perdesse um de seus sentidos, seria por sua culpa e não dos senhores inquisidores... depois, estando amarrado, ele sofreu toda a tortura prescrita, que durou mais de um quarto de hora".
Narração do próprio Jean Coustos: "... fizeram com que eu me deitasse sobre um cadafalso, de costas, onde, depois de terem me alongado com todas as suas forças, eles me prenderam por meio de uma guilhotina, que colocaram no meu pescoço, e de um anel de ferro em cada pé. Uma dessas extensões me causou dores terríveis, mas isso era apenas o princípio dos tormentos horrorosos que eles haviam resolvido me fazer sofrer. Eles me amarraram com esse objetivo usando oito cordas pequenas, duas em cada coxa. Essas cordas passavam por furos quue existiam no cadafalso e, ao menor sinal quue os bárbaros inquisdores deram, elas foram todas puxadas e apertadas ao mesmo tempo por quatro carrascos que estavam por baixo e que para isso usavam torniquetes. Para poder avaliar os sofrimentos que suportei nesse momento fatal, basta saber que as cordas, que eram feitas de um fio muito fino e cuja grossura era igual à do dedo mínimo, entravam nas carnes até os ossos e faziam jorrar sangue por oito lugares diferentes, por onde elas cortavam meus membros..."
Jean Coustos passou várias vezes por torturas desse tipo, e após ter relatado vários procedimentos da maçonaria, sua primeira sentença foi prolatada em 6 de maio de 1744, condenando-o a seis anos de galera, ou seja, trabalhos forçados."Depois, por decisão do conselho dos inquisidores, ratificada por um novo julgamento realizado com a data de 21 de junho, essa pena foi reduzida a quatro anos".
No arquivo do Ministério das Relações Exteriores, Correspondência Portugal, vol. 79, consta a lista oficial das pessoas condenadas ao auto-da-fé de 21 de junho de 1744: "Lista das Pessoas que sahirão, condenações, que teverão, e sentenças que se lêrão no Auto publico da Fé, que se celebrou na Igreja do Convento de S.Domingos desta Cidade de Lisboa em 21 de junho de 1744 - Sendo Inquisidor Geral o Eminentíssimo, e Reverendíssimo Senhor Nuno da Cunha, Presbttero Cardeal da Santa Igreja de Roma do título de Santa Anastácia, do Conselho de Estado de S. Majestade. Homens. Pessoas, que nam abjuram, nem levam habito: João Custon, Herege protestante, Lapidario, natural do Condato de Baziléa, e morador nesta cidade; por introduzir, e praticar nesta Corte a seista dos Pedreiros livres, condenada pela Sé Apostólica - 4 anos para Galés".
Fonte: "Prisioneiros da Inquisição", de Frédéric Max, Ed.Lpm, 1989.