CHINESES



Os chineses têm o privilégio de possuir uma vasta literatura histórica. Nenhuma outra nação apresenta tandos historiadores, nem tanta história escrita. Mesmo as mais antigas cortes tinham seus escribas oficiais que faziam a crônica das realizações do soberano e dos portentos da época; e esse ofício de historiador da corte , mantido até os nossos tempos, ergueu na China uma grande acervo de acontecimentos.

Desde o século XVIII a.C. até por volta do ano de 1100 a.C., a China foi dominadoa pela dinastia San. Durante esse período os chineses desenvolveram uma forma de escrita totalmente diferente daquela do Oriente Médio. O arquivo escrito dessa dinastia foi deixado na forma de incrições em vasos de bronze e nos ossos oraculares que usavam para advinhações. Nessa época a estrutura política era centralizada, concebida para governar um povo muito espalhado.

O controle político dos San estendeu-se sobre ampla área do norte da China, possivelmente cerca de 100 mil quilômetros quadrados. A maior parte do território San concentrava-se na planície do rio Amarelo, centrada no que é hoje a provícia de Henan. As capitais chinesas estavam cercadas por domínios feudais governados por senhores leais, cujos territórios formavam uma zona de proteção entre as cidades muradas e as tribos de saqueadores que infestavam o resto do país.

As meninas camponesas eram tratadas como inferiores e, às vezes, vendidas como escravas ou concubinas. O rei, declarando-se "o Único" e "o Filho do Céu", era a suprema figura política, militar e religiosa do estado chinês. Acreditava-se que possuía qualidades divinas e o dom especial de comunicar-se com os deuses. A linhagem real saía do clã dominante da dinastia, com a sucessão passando às vezes de irmão para irmão e, em outras ocasiões, de pai para filho. O rei podia ter quantas esposas quisesse - um soberano San chamado Wu Din teve pelo menos 64. As disputas sobre sucessão podiam ser levadas a um conselho de nobres do alto escalão.

O rei administrava pessoalmente a justiça, que podia envolver penalidades severas como cortar o nariz ou uma orelha, furar os olhos ou castrar o culpado.

A lâmina ao lado possui mais de 35 centímetros e foi provavelmente empunhada por um verdugo da dinastia San para executar as vítimas designadas para cerimônias de sacrifício ritual. Moldada na forma de um rosto meio humano, meio animal, a lâmina foi encontrada perto da entrada de um túmulo, não muito longe dos restos mortais de 48 vítimas.

china2.jpg (15129 bytes)

O poder San começou a declinar  quando seus líderes se tornaram fracos e autocomplacentes. Disse um comentador chinês: "Desfrutando de facilidades desde o nascimento, eles não conheciam a dolorosa faina de semear e colher. Não buscam outra coisa senão o prazer excessivo." O último reinado da dinastia San, por volta do ano de 1100 a.C, demonstrou-se cruel e corrupto. O soberano era Di-chin  que, dizem os cronistas, quando um assessor o desagradou, mandou arrancar-lhe o coração. O rei aumentou os impostos e dissipou o tesouro real em orgias regadas a vinho. Os nobres estavam particularmente escandalizados com sua companheira Da-ji, que inventava engenhosos instrumentos de tortura para punir os súditos desleais. Em um tormento especialmente sádico chamado "assar grelha", o acusado era forçado a caminhar sobre um   buraco com carvão em brasa. Da-ji divertia-se vendo a vítima escorregar, cair no fogo e morrer queimada.

A expressão religiosa San também tendia á violência. Sacrificavam seres humanos e animais para conseguir ajuda e orientação dos espíritos dos ancestrais e dos deuses da natureza. Deixaram túmulos reais contendo até trezentos esqueletos, alguns decapitados e outros ajoelhados, com as mãos nas costas. Aparentemente, os prisioneiros de guerra eram as vítimas sacrificiais favoritas, mas os cidadãos não estavam livres: quando um rei San morria, seus funcionários, concubinas e criados às vezes iam junto para o túmulo.

china1.jpg (55676 bytes)
(Gravura: Marés Bárbaras - Ed. Time-Life)

Os ritos funerários concedidos à elite dominante da China nos últimos tempos da dinastia San foram poucas vezes superados. Patriarcas orgulhosos numa cultura que reverenciava  os ancestrais, os soberanos San recebiam pródigas oferendas funerais - tributo pago, não apenas com vazos de bronze e jade, mas também com abundância de sangue humano.

Os ritos sombrios realizavam-se em enormes covas, de até 12 metros de profundidade, cavadas perto da capital An-yan. No fundo da cova, os operários cercavam com paredes de madeira marchetada e laqueada. O chão de uma dessas câmaras foi consagrado pelo sacrifício de nove guardas aramados, enterrados para proteger dos maus espíritos o ocupante do túmulo real.

Uma vez preparada a câmara, colocava-se nela o caixão com objetos tumulares. Então começava-se o banho de sangue. A maioria das vítimas eram prisioneiros de guerra, levados para dentro da cova e decaptados aos magotes. Na tumba real onde estavam os nove guardas, foram encontrados mais de sessenta crânios.

Vejas as demais páginas sobre os chineses: [2] [3]

Fontes: -"História da Antiguidade Oriental", Mário Curtis Giordani, Ed. Vozes, 10ª ed., 1997.
"História em Revista - Marés Barbaras", Ed. Abril, 1991.
- Encarta Online Deluxe Homepage

CONDENAÇÕES HISTÓRICAS| HOME PAGE | LINKS |DIREITO