LUTAS DE JIU-JITSU
Faixa Marrom
LUÍS CARLOS VALOIS

 


Copa Atlântico Sul/RJ - 1990

Foi na faixa marrom, apesar de minhas atividades como advogado, quando estive mais treinado. No meu primeiro campeonato nessa faixa, lutei com o grande Renzo Gracie e logo em seguida com Ralph Gracie (foto ao lado). Com Renzo lutei ainda mais duas vezes na faixa preta e com Ralph lutei apenas esta vez, na faixa marrom, tendo vencido por pontos. Apesar de termos lutado na faixa marrom, o campeonato era entre faixas pretas e faixas marrom lutando entre si.

Com certeza, não só eu, mas todos os atletas sempre passam a sua melhor fase técnica e física, na faixa marrom, já que, nas competições têm mais adversários e a qualidade destes não deixa em nada a desejar comparada com a qualidade dos faixas pretas que também estão competindo. A luta acima, com Ralph Gracie, por exemplo, apesar dos dois adeversários serem faixa marrom, foi em uma final de um campeonato em que faixa preta e faixa marrom lutavam na mesma categoria, prova que são raros os faixas pretas que decidem encarar um campeonato em que devem enfrentar faixas marrom e, quando resolvem lutar, não há diferença técnica sensível.

Além dos irmãos Gracie, tive outros adversários muito bons na faixa marrom, como "Telo", aluno do mestre "Jacaré", que tinha a característica de estudar seus  adversários e lutar em cima dos erros deles, estratégia que me fez sentir muitas dificuldades, por isso tive que improvisar para vencê-lo na faixa marrom. Depois não lutamos mais. Outro grande adversário na marrom, foi Daniel, da Academia "Strauss"

Ao lado, a segunda luta com Daniel, em Teresópolis. Ele tinha uma ótima guarda e um estrangulamento perigoso que ameaça o adversário durante toda a luta, além de grande força. Venci esta luta e outra que fizemos também na faixa marrom, mas não sem dificuldades.

Lutar em Teresópolis sempre foi o extremo o esporte amador, pois íamos para aquela cidade sem qualquer apoio, por nossa conta, lutar apenas com o estímulo da medalha, da vitória e em nome do Carlson Gracie Team.


Copa 33 anos - Serrana -1999

Lutar em Teresópolis sempre foi muito agradável, pela viagem e pela beleza do local, mas, naquela época, o jiu-jitsu ainda era muita amador e tínhamos que arcar com todas as despesas para lutar: passagem, hospedagem, alimentação etc. A maioria das vezes dei sorte em Teresópolis, mas a altitude sempre foi uma dificuldade a mais.

Nessa época, o jiu-jitsu começava a ganhar repercussão nacional e minha geração é uma das responsáveis pelo que o jiu-jitsu é hoje em dia. No campeonato referido acima, por exemplo, passamos o dia inteiro lutando, pois devido à desorganização que  imperava naquela época, éramos obrigados a ficar todo o dia no ginásio porque nunca sabíamos a hora em que íamos lutar.


Copa 33 anos - Serrana -1999

A foto ao lado é da final da luta com Daniel. Foi meu último campeonato na faixa-marrom, após o que recebi do mestre Carlson Gracie a tão almejada faixa preta.

Apenas dois tipos de lutadores chegam na faixa preta. Um deles são os fenômenos, que são como se fossem os craques do jiu-jitsu, isto é, já nascem com o dom, com o jiu-jitsu no sangue.

Os outros tipos de lutadores, e me enquadro nesse tipo, que chegam à faixa preta, são os perseverantes, aqueles que não desistem e se entregam com afinco aos treinos. "É tempo ruim o tempo todo" como diz meu amigo Wallid Ismail. Se você sonha com a faixa preta, mesmo a achando distante, ainda na faixa branca ou azul, não desista, continue que chegarás lá, com certeza.

Uma das grandes vantagens do jiu-jitsu sobre outros esportes é que (a exceção da má fé dos árbitros) normalmente vence o que está mais treinado. A sorte tém pouca influência.

 

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