"ATITUDE"

 

Ricardo Libório (Campeão Mundial de Jiu-Jitsu 96 - Faixa Preta da Academia Carlson Gracie)

SUCESSO, palavra que martela na cabeça de quase todo ser humano e inspira todo atleta. O prazer de conseguir o primeiro lugar no pódio, é sem dúvida nenhuma, o retorno ideal para um caminho difícil, cheio de pedras e abdicações. Mas o que torna o sucesso possível é a ATITUDE. Atitude para começar, conseguir e manter.

Quando falo em atitude, quero dizer a formação de uma consciência atlética, que começa na postura dentro e fora dos tatames. Não podemos ser confundidos com marginais.

É inadmissível abrirmos os jornais ou vermos na TV o perfil de nossos atletas sendo denegrido. Nós sabemos que o Jiu-Jitsu não é isso. Mas será totalmente mentira ou uma verdade que não queremos enxergar? Nem tudo está perfeito.

Esta é a melhor hora para modificar esta situação e mostrar o que na verdade é a nossa Arte. Devemos nos conscientizar que existem fatores que devem ser alterados, e para termos êxito é preciso agir, mover-se e ter atitude. Os patrocinadores já estão nos olhando. O mundo já sabe quem somos. Por isso, precisamos dar exemplos.

O Rio, com sua candidatura para sediar a primeira olimpíada do próximo século, o que lhe permitiria introduzir três esportes nos Jogos, nos dá a oportunidade de nos tornar olímpicos. Muita coisa já foi modificada. Mas uma realidade olímpica significa, no mínimo, oito anos de trabalho com 75 países e quatro continentes praticando Jiu-Jitsu. Ninguém aprende sozinho. É necessário divulgar e introduzir, de forma organizada e bem estruturada, o esporte em todos os países. Só assim começaremos, realmente, a praticar e realizar competições com a presença de atletas do mundo todo.

Fora uma maior divulgação internacional do esporte competitivo, acredito que seja necessário uma modificação nas regras. Por exemplo, torna-se inviável uma luta de faixas pretas realizar-se em 10 minutos, dada a quantidade de atetas que a alcançarão nos próximos anos.

Uma maior dinâmica se fará necessária para tornar a luta plasticamente mais agradável, pensando também, na transmissão televisiva que exigirá que a luta seja mais ofensiva. Resumindo: se não hover ataque, o atleta deverá ser punido, seguido do final do combate, dando-se, logicamente, a vitória ao atleta mais ofensivo.

Uma massa de leigos precisa aprender nossa filosofia, ter conhecimento das regras do esporte e, dessa forma se interessar. Aumentaremos assim nossa credibilidade, e essas mesmas pessoas que hoje nos crucificam, passariam a comentá-lo de forma positiva, dignificando cada vez mais a grandeza do esporte.

Estamos engatinhando e temos um longo caminho. A participação de cada um de nós é fundamental para fazer esta criança andar. Todos ganharão. Qualquer coisa que façamos, só com atitude é que teremos sucesso.

Artigo publicado na revista "O Tatame", edição nº 14, de setembro de 1996.

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